terça-feira, 27 de maio de 2008
Hino oficial da Shakespeare and Company
On a cold and rainy night
And find the Shakespeare store
It can be a welcome sight
Because it has a motto
Something friendly and wise
Be kind to strangers
Lest they’re angels in disguise”
(“Se um dia você for a Paris
Em uma noite fria e chuvosa
E achar a loja Shakespeare
Pode ser uma visão bem-vinda
Pois ela tem um lema
Amistoso e sábio
Seja gentil com os estranhos
Pois podem ser anjos disfarçados”)
Algumas curiosidades da charmosa Shakespeare and Company
2 - Nos quase 60 anos de livraria, George calcula que cerca de 40 mil pessoas já passaram e permaneceram na livraria.
3 - Permanece na livraria as primeiras edições dos livros: “Ulisses”, de James Joyce e “Trópico de Câncer”, de Henry Miller. Entre muitos outros, estes foram publicações da original Shakespeare and Company de Sylvia Beach.


5 - Uma das poucas exigências feitas pelo livreiro para se hospedar em uma das 13 camas espalhadas pela livraria é ler um livro por dia.Cerca de 85 livros, foi a média de Jeremy Mercer, autor do livro “Um livro por dia. - Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company” alcançou após sua temporada de 5 meses hospedado na livraria. Uma boa média, o que acha?
6 - Dois enganos são constantemente cometidos pelos turistas mais desavisados. O primeiro é confundir a atual livraria com a antiga Shakespeare and Company comandada por Sylvia Beach. A segunda confusão é relacionar George com o grande poeta americano Walt Withman, autor de “Leaves of Grass”, pelo fato de possuírem o mesmo sobrenome. Além disso, o pai de George também se chamava Walt. Aproveitando do feliz acaso George, quando chegou em Paris nos anos 1940, se fazia passar pelo neto ilegítimo do poeta.
7 - Os chás dos domingos e os recitais das segundas-feiras são tradição no local. Uma boa dica cultural para aqueles que visitam Paris.
Por Fernanda Barros e Talita Moreira.
Um parque de diversões da cabeça
Lançado em 1958, o livro “Um parque de diversões da cabeça” é considerado o melhor livro do poeta Lawrence Ferlinghetti, fundador de uma das livrarias mais importantes do mundo, A City Lights Bookstore em São Francisco e percussor da geração beat (escritores americanos que se tornaram conhecidos no final da década de 50, e inspiraram o fenômeno cultural, os "beatnicks". Os escritores Beat davam ênfase em um engajamento visceral em experiências com as palavras combinadas com a busca a um entendimento espiritual mais profundo.)
O livro expressa exatamente o que Lawrence quis mostrar, os elementos banais do dia-a-dia, a gíria das ruas, a vida simples e também seu amor pela arte.
Com seu olhar instigante, o autor realça o cenário americano da década de 50, a espiritualidade e a beleza essencial a tudo. Lawrence também trás para seu parque de diversões personagens como Evoca Dante, Goya, Chagall, Kafka, Yeats, Hemingway.
O título, extraído do livro "Into the Night Life", de Henry Miller, segundo o autor, é usado fora do contexto original, mas expressa o que ele sentia ao escrever os poemas, algo como um “circo da alma”.
Na primeira parte do livro, Ferlinghetti grita para o mundo os absurdos da cultura americana e denuncia a sociedade de massas. Já na segunda, as “Mensagens orais”, encontramos discursos espontâneos concebidos para acompanhamento jazzístico. O fechamento se dá com "Retratos do mundo que se foi", grupo de poemas selecionado do primeiro livro do autor, Pictures of the Gone World, publicado em 1955 pela City Lights.
Trecho de poema “Autobiografia”
"Sou um lago na planície. Uma palavranuma árvore. Sou uma montanha de poesia. Uma blitz no inarticulado. Sonhei que todos os meus dentes caíram mas a língua sobreviveu para contar a história. Porque sou um silênciopoético."
Por Fernanda Barros e Talita Moreira
“Encontros no Subsolo”: Um convite a desvendar a Leonardo Da Vinci
A primeira edição foi realizada no dia 5 de outubro de 2005 e trazia como tema: “A interferência do jornalismo na escrita ficcional”, questão levantada no livro Pena de Aluguel, de Cristiane Costa, uma das participantes do encontro, junto com os escritores e também jornalistas Marcelo Moutinho e Elvira Vigna. Os mais diversificados assuntos já foram temas desse evento como: “Poesias numa hora dessas?! Versos como antídoto para a crise e monotonia” que reuniu poetas como Alexei Bueno e Alberto Pucheu; “ Falando de moda muito além dos panos” com a participação de Marcos Sabino e Lu Caitora; “Fotojornalismo – Ontem e hoje: ainda indispensável?” com os fotógrafos Dante Gastaloni e Evandro Teixeira; entre outros.
Segundo Milena, as diferentes idéias para os encontros muitas vezes é sugerida por clientes e amigos da livraria. A divulgação é feita através de cartões personalizados, distribuídos na própria livraria, onde os frequentadores podem saber um breve resumo sobre os convidados. Para ela essa é a melhor forma de divulgação, pois as pessoas guardam o cartões e muitas vezes colecionam, já que eles possuem arte diferenciada conforme o tema, que é assinada por Duda Itajahy. No site da da Leonardo Da Vinci podemos também encontrar a programação dos encontros, que acontecem geralmente uma vez por mês, sempre às quartas-feiras, o que na opinião da Milena é a melhor opção, já que não compete com os outros compromissos do final de semana. O grande objetivo desse projeto é fazer com que as novas gerações conheçam a livraria.
Além dos encontros, os clientes podem conferir as exposições que acontecem no Baú da Leonardo, novo espaço da livraria dedicado a livros mais baratos. As exposições são feitas em obras de papel sendo geralmente desenhos, fotografias ou serigrafias e duram cerca de um mês e meio. Se você se interessou pelo espaço e também gostaria de expor suas obras lá, é muito fácil. Basta encaminhar seu portfólio, em CD ou papel, para a livraria Leonardo Da Vinci, que fica na Av. Rio Branco,185 - subsolo (Edifício Marquês do Herval). Lá, ele passará pela avaliação do atual curador da livraria,Hilton Berredor . Importante lembrar que o portfólio deve conter somente as obras que você gostaria de expor.
“Os novos papéis do homem e da mulher”
Esse foi o tema do último “Encontros do Subsolo”, que fez parte do ciclo “Fazendo gênero no século XXI” que aconteceu no dia 26 de março e contou com a presença da psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins, autora do livro “Cama na Varanda” e do antropólogo Rolf de Souza, autor do livro “ A confraria da esquina: O que os homens de verdade falam em torno de uma carne queimando”. No encontro eles debateram o papel do homem e da mulher no século XXI, mediado pela jornalista Daniela Name. O evento reuniu cerca de 40 pessoas no subsolo do edifício entre eles estudantes e frequentadores da livraria.
Os dois autores confrontaram os temas dos seus livros. Rolf explicou que seu trabalho discute como os homens constrõem a sua masculinidade. Segundo ele, o homem sempre possuiu um gênero propriamente construído, mas a partir dos anos 60 e 70, começou a se problematizar isso, devido o movimento feminista. Os papéis sociais mudaram, e Rolf nos explica que hoje não podemos mais usar o ditado popular que diz: “ Em briga de marido e mulher não se mete a colher”, pois os homens sabem muito bem que as mulheres tem uma instituição pública que as protege, a delegacia das mulheres, e que ela vai interferir sim na instituição casamento. O homem vê que as atitudes que eram tomadas no passado, já não servem para hoje, levando a uma mudança do seu papel social. Rolf nos alertou dizendo que muitos estudos ainda precisão ser feitos sobre o gênero masculino.
Regina por outro lado, vem dizer que algo muito louco está acontecendo na relação homem e mulher, porque a mulher sempre foi louca para casar e o homem sempre fugia, hoje já não é bem essa situação que ocorre. A partir de questionamentos feitos por seus clientes, Regina começou a fazer pesquisas que resultou no livro “Cama na varanda”. Ela percebeu que o papel do homem, de patriarca, forte, que mandava na mulher, já não servia mais e que a mulher agora independente, não tinha mais aquele jeito frágil que era imposto a ela no passado.
O debate foi aberto ao público que pode opinar e tirar suas dúvidas. Para conhecer um pouco mais sobre os trabalhos dos autores, os livros mencionados e outros títulos basta acessar o site da livraria: www.leonardodavinci.com.br ou se preferir fazer uma visita a Leonardo Da Vinci, que fica na Av. Rio Branco,185 – Subsolo – Centro – RJ (Edifício Marquês do Herval).
Por Márcia Madela
terça-feira, 20 de maio de 2008
Biblioteca Nacional recebe coleção original da Editora José Olympio
Acervo inclui até cartas de Gilberto Freyre e Jorge Amado
O bibliotecário José Olympio começou sua carreira abrindo caixas de livros na Casa Garraux, importante editora do início do século XX. Décadas depois, é a vez de os funcionários da Biblioteca Nacional repetirem o ato: a coleção da Editora José Olympio acaba de ser doada à instituição. São 6.094 livros, além de fotos, manuscritos e até notas fiscais assinadas por Jorge Amado.
A Coleção José Olympio foi recebida pela BN em setembro do ano passado, após três meses de negociações com Geraldo Jordão, filho de José Olympio, e com a família do ex-presidente da Xerox, Henrique Gregori, que havia herdado o acervo. Até então, os livros ficaram mais de dez anos guardados em bom estado num depósito na Penha, subúrbio carioca.
Fundada em 1931, a Editora José Olympio foi responsável pela publicação de livros marcantes na história do país, como Macunaíma, de Mário de Andrade, e as obras completas de Gilberto Freyre, José de Alencar, José Lins do Rego, Manuel Bandeira e Guimarães Rosa. Há cerca de dez anos, a José Olympio foi vendida à Editora Record, mas as obras originais não fizeram parte do acordo. Foi assim que elas acabaram por encontrar abrigo na BN.
Entre as preciosidades contidas no acervo, há um exemplar da primeira obra publicada pela editora, o livro Conhece-te pela psicanálise, de J. Ralph, e da primeira edição de Jubiabá, de Jorge Amado, publicado em 1935, com nota fiscal confirmando o pagamento, assinada pelo próprio autor. Há também uma carta manuscrita de Gilberto Freyre, de 1969, a respeito de um livro que a editora pretendia montar, publicando todas as cartas que ele havia trocado com intelectuais. Além disso, há dezenas de imagens, como a foto em que José Olympio aparece cercado por José Lins do Rego, Carlos Drummond de Andrade, Candido Portinari e Manuel Bandeira.
Coordenadora de serviços bibliográficos da BN, Mônica Rizzo Soares Pinto explica que a chegada da Coleção José Olympio dá à Biblioteca Nacional uma oportunidade de preservar uma memória não só bibliográfica, mas editorial: “O acervo, com fotos, recibos e cartas, conta a história da própria editora, que sempre privilegiou os autores brasileiros. Ela não era uma entidade filantrópica, mas tinha um apreço especial pela literatura nacional” . Mônica Rizzo diz que o ideal seria que a coleção ficasse em uma sala própria. Mas pelo tamanho do acervo, isto acaba sendo inviável. Por isso, a Biblioteca vai disponibilizar fotos, manuscritos e outras curiosidades no próprio portal da instituição.
Por Maria Cecília Isaurralde
Ilustres Frequentadores da José Olympio
Em 1913, a família volta a Fortaleza, face à nomeação de seu pai para o cargo de promotor. Após um ano no cargo, ele pede demissão e vai lecionar Geografia no Liceu. Dedica-se pessoalmente à educação de Rachel, ensinando-a a ler, cavalgar e a nadar. Aos cinco anos a escritora leu "Ubirajara", de José de Alencar, "obviamente sem entender nada", como gosta de frisar.Fugindo dos horrores da seca de 1915, em julho de 1917 transfere-se com sua família para o Rio de Janeiro, fato esse que seria mais tarde aproveitado pela escritora como tema de seu livro de estréia, "O Quinze".
Para fugir da seca do Nordeste, a família muda-se para o Rio de Janeiro, em Julho de 1917, fato que a autora conta em seu livro "Quinze". Tempos depois, mudança para Belém do Pará, onde residem por dois anos. Retornam ao Ceará, inicialmente para Guaramiranga e depois Quixadá, onde Rachel é matriculada no curso normal, como interna do Colégio Imaculada Conceição, formando-se professora em 1925, aos 15 anos de idade. Sua formação escolar pára aí.
Com o pseudônimo de "Rita de Queluz" ela envia ao jornal "O Ceará", em 1927, uma carta ironizando o concurso "Rainha dos Estudantes", promovido por aquela publicação. O diretor do jornal, Júlio Ibiapina, amigo de seu pai, diante do sucesso da carta a convida para colaborar com o veículo. Quando o seu pai adquire o Sítio do Pici, perto de Fortaleza, para onde a família é transferida, e sua colaboração em "O Ceará" torna-se regular. Publica o folhetim "História de um nome" — sobre as várias encarnações de uma tal Rachel — e organiza a página de literatura do jornal.
Submetida a rígido tratamento de saúde, em 1930, face a uma congestão pulmonar e suspeita de tuberculose, a autora se vê obrigada a fazer repouso e resolve escrever "um livro sobre a seca". "O Quinze" — romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca. O livro logo transformaria Rachel numa personalidade literária. Em março de 1931, recebe no Rio de Janeiro o prêmio de romance da Fundação Graça Aranha, mantida pelo escritor, em companhia de Murilo Mendes (poesia) e Cícero Dias (pintura). Conhece integrantes do Partido Comunista; de volta a Fortaleza ajuda a fundar o PC cearense.
Casa-se com o poeta bissexto José Auto da Cruz Oliveira, em 1932. É fichada como "agitadora comunista" pela polícia política de Pernambuco. Seu segundo romance, "João Miguel", estava pronto para ser levado ao editor quando a autora é informada de que deveria submetê-lo a um comitê antes de publicá-lo. Semanas depois, em uma reunião no cais do porto do Rio de Janeiro, é informada de que seu livro não fora aprovado pelo PC, porque nele um operário mata outro. Fingindo concordar, Rachel pega os originais de volta e, depois de dizer que não via no partido autoridade para censurar sua obra, foge do local "em desabalada carreira", rompendo com o Partido Comunista.
Após o nascimento da sua primeira filha, muda-se para Maceió, em 1935, onde faz amizade com Jorge de Lima, Graciliano Ramos e José Lins do Rego, amigos que freqüentemente encontrava na Livraria José Olympio. O lançamento do romance "Caminho de Pedras", pela editora Jose Olympio, se dá em 1937, que seria sua editora até 1992. Com a decretação do Estado Novo, seus livros são queimados em Salvador - BA, juntamente com os de Jorge Amado, José Lins do Rego e Graciliano Ramos, sob a acusação de subversivos. Permanece detida, por três meses, na sala de cinema do quartel do Corpo de Bombeiros de Fortaleza.
Em 1939, separa-se de seu marido e muda-se para o Rio, onde publica seu quarto romance, "As três Marias".Por intermédio de seu primo, o médico e escritor Pedro Nava, em 1940 conhece o também médico Oyama de Macedo, com quem passa a viver. O casamento duraria até à morte do marido, em 1982.
Sua primeira peça para o teatro, "Lampião", é montada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e no Teatro Leopoldo Fróes, em São Paulo, no ano de 1953. É agraciada, pela montagem paulista, com o Prêmio Saci, conferido pelo jornal "O Estado de São Paulo". Recebe também da Academia Brasileira de Letras, em 1957, o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra.
Em 1967 a autora passa a integrar o Conselho Federal de Cultura, em 1967, e lá ficaria até 1985, e em 1969 lança seu primeiro livro infanto-juvenil,"O Menino Mágico". Em1975, publica o romance "Dôra, Doralina".Em 1977, por 23 votos a 15, e um em branco, Rachel de Queiroz vence o jurista Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda e torna-se a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. Ocupa a cadeira número 5, fundada por Raimundo Correia, tendo como patrono Bernardo Guimarães e ocupada sucessivamente pelo médico Oswaldo Cruz, o poeta Aluísio de Castro e o jurista, crítico e jornalista Cândido Mota Filho.
A Editora José Olympio lança, em 1989, sua "Obra Reunida", em cinco volumes, com todos os livros que Rachel publicara até então destinados ao público adulto.Segundo notícia que circulou em 1991, a Editora Siciliano, de São Paulo, pagou US$150.000,00 pelos direitos de publicação da obra completa da autora. Em 1955 inicia seu livro de memórias, escrito em colaboração com a irmã Maria Luiza, que é publicado posteriormente com o título "Tantos anos", que recebe o Prêmio Moinho Santista.
Rachel de Queiroz chega aos 90 anos afirmando que não gosta de escrever e o faz para se sustentar. Ela lembra que começou a escrever para jornais aos 19 anos e nunca mais parou, embora considere pequeno o número de livros que publicou.
A Autora conta sobre suas obras:
"Para mim, foram só cinco, (além de O Quinze, As Três Marias, Dôra, Doralina, O Galo de Ouro e Memorial de Maria Moura), pois os outros eram compilações de crônicas que fiz para a imprensa, sem muito prazer de escrever, mas porque precisava sustentar-me Na verdade, eu não gosto de escrever e se eu morrer agora, não vão encontrar nada inédito na minha casa".Tento, com a maior insistência, embora com o precário resultado (como se tornou evidente), incorporar a linguagem que falo e escuto no meu ambiente nativo à língua com que ganho a vida nas folhas impressas. Não que o faça por novidade, apenas por necessidade. Meu parente José de Alencar quase um século atrás vivia brigando por isso e fez escola".
A autora faleceu dormindo em sua rede, no dia 04-11-2003, na cidade do Rio de Janeiro. Deixou, aguardando publicação, o livro "Visões: Maurício Albano e Rachel de Queiroz", uma fusão de imagens do Ceará fotografadas por Maurício com textos de Rachel de Queiroz.
Obras:
- O quinze (1930)- João Miguel (1932)- Caminho de pedras (1937)- As três Marias (1939)- Dôra, Doralina (1975)- O galo de ouro (1985) - folhetim na revista " O Cruzeiro", (1950)- Obra reunida (1989)- Memorial de Maria Moura (1992)
- Literatura Infanto-Juvenil:- O menino mágico (1969)- Cafute & Pena-de-Prata (1986)- Andira (1992)- Cenas brasileiras - Para gostar de ler 17.
- Teatro:- Lampião (1953)- A beata Maria do Egito (1958)- Teatro (1995)- O padrezinho santo (inédita)- A sereia voadora (inédita)
- Crônica:- A donzela e a moura torta (1948);- 100 Crônicas escolhidas (1958)- O brasileiro perplexo (1964)- O caçador de tatu (1967)- As menininhas e outras crônicas (1976)- O jogador de sinuca e mais historinhas (1980)- Mapinguari (1964)- As terras ásperas (1993)- O homem e o tempo (74 crônicas escolhidas}- A longa vida que já vivemos- Um alpendre, uma rede, um açude: 100 crônicas escolhidas- Cenas brasileiras- Xerimbabo (ilustrações de Graça Lima)- Falso mar, falso mundo - 89 crônicas escolhidas (2002)
- Antologias:- Três romances (1948)- Quatro romances (1960) (O Quinze, João Miguel, Caminho de Pedras, As três Marias)- Seleta (1973) - organização de Paulo Rónai
- Livros em parceria:- Brandão entre o mar e o amor (romance - 1942) - com José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Aníbal Machado e Jorge Amado.
- O mistério dos MMM (romance policial - 1962) - Com Viriato Corrêa, Dinah Silveira de Queiroz, Lúcio Cardoso, Herberto Sales, Jorge Amado, José Condé, Guimarães Rosa, Antônio Callado e Orígines Lessa.- Luís e Maria (cartilha de alfabetização de adultos - 1971) - Com Marion Vilas Boas Sá Rego.- Meu livro de Brasil (Educação Moral e Cívica - 1º. Grau, Volumes 3, 4 e 5 - 1971) - Com Nilda Bethlem.-O nosso Ceará (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), relato, 1994.- Tantos anos (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), autobiografia, 1998.- O Não Me Deixes – Suas Histórias e Sua Cozinha (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), 2000- Luís e Maria (cartilha de alfabetização de adultos - 1971) - Com Marion Vilas Boas Sá Rego.- Meu livro de Brasil (Educação Moral e Cívica - 1º. Grau, Volumes 3, 4 e 5 - 1971) - Com Nilda Bethlem.- O nosso Ceará (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), relato, 1994.- Tantos anos (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), autobiografia, 1998.- O Não Me Deixes – Suas Histórias e Sua Cozinha (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), 2000.
Graciliano Ramos lendo na Livraria José Olympio em 1942
"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer".
Graciliano Ramos, 1948.

Este é o auto retrato do autor aos 56 anos:
Auto-retrato aos 56 anos:
Nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas.Casado duas vezes, tem sete filhos.Altura 1,75.Sapato n.º 41.Colarinho n.º 39.Prefere não andar.Não gosta de vizinhos.Detesta rádio, telefone e campainhas.Tem horror às pessoas que falam alto.Usa óculos. Meio calvo.Não tem preferência por nenhuma comida.Não gosta de frutas nem de doces.Indiferente à música.
Sua leitura predileta: a Bíblia.Escreveu "Caetés" com 34 anos de idade.Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados.Gosta de beber aguardente.É ateu. Indiferente à Academia.Odeia a burguesia. Adora crianças.Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz.Gosta de palavrões escritos e falados.Deseja a morte do capitalismo.Escreveu seus livros pela manhã.Fuma cigarros "Selma" (três maços por dia).É inspetor de ensino, trabalha no "Correio do Manhã".
Apesar de o acharem pessimista, discorda de tudo.Só tem cinco ternos de roupa, estragados.Refaz seus romances várias vezes.Esteve preso duas vezes.É-Ihe indiferente estar preso ou solto.Escreve à mão.Seus maiores amigos: Capitão Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio.Tem poucas dívidas.Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas.Espera morrer com 57 anos
(Publicado no site oficial do autor)
Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, sertão de Alagoas, filho primogênito dos dezesseis que teriam seus pais, Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos. Viveu sua infância nas cidades de Viçosa, Palmeira dos Índios (AL) e Buíque (PE), sob o regime das secas e das surras que lhe eram aplicadas por seu pai, o que o fez alimentar, desde cedo, a idéia de que todas as relações humanas são regidas pela violência. Em seu livro autobiográfico "Infância", assim se referia a seus pais: "Um homem sério, de testa larga (...), dentes fortes, queixo rijo, fala tremenda; uma senhora enfezada, agressiva, ranzinza (...), olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura".
Em 1894, a família muda-se para Buíque, em Pernambuco, onde o escritor tem contacto com as primeiras letras. Em 1904, retornam ao Estado de Alagoas, indo morar em Viçosa. Lá, Graciliano cria um jornalzinho dedicado às crianças, o "Dilúculo".Posteriormente, redige o jornal "Echo Viçosense", que tinha entre seus redatores seu mentor intelectual, Mário Venâncio.Em 1905 vai para Maceió, Graciliano publica na revista carioca "O Malho" sonetos sob o pseudônimo de Feliciano de Olivença.
Em 1909, passa a colaborar com o "Jornal de Alagoas", de Maceió, publicando o soneto "Céptico" sob o pseudônimo de Almeida Cunha. Até 1913, nesse jornal, usa outros pseudônimos: S. de Almeida Cunha, Soares de Almeida Cunha e Lambda, este usado em trabalhos de prosa. Até 1915 colabora com "O Malho", usando alguns dos pseudônimos citados e o de Soeiro Lobato. Passa a colaborar com o "Correio de Maceió", em 1911, sob o pseudônimo de Soares Lobato.
Em 1914, embarca para o Rio de Janeiro. Nesse ano e parte do ano seguinte, trabalha como revisor de provas tipográficas nos jornais cariocas "Correio da Manhã", "A Tarde" e "O Século". Colaborando com o "Jornal de Alagoas" e com o fluminense "Paraíba do Sul", sob as iniciais R.O. (Ramos de Oliveira). Casa-se com Maria Augusta Ramos, que falece em 1920, deixando quatro filhos menores. Em 1927, é eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios, cargo no qual é empossado em 1928.
Dois anos depois, renuncia ao cargo de prefeito e se muda para a cidade de Maceió, onde é nomeado diretor da Imprensa Oficial, e casa-se com Heloisa Medeiros, na mesma época em que colabora com jornais usando o pseudônimo de Lúcio Guedes.Tempos depois, demite-se do cargo de diretor da Imprensa Oficial e volta a Palmeira dos Índios, onde funda urna escola no interior da sacristia da igreja Matriz e inicia os primeiros capítulos do romance "São Bernardo".
O ano de 1933 marca o lançamento de seu primeiro livro, "Caetés", que já trazia consigo o pessimismo que marcou sua obra. Esse romance Graciliano vinha escrevendo desde 1925.
No ano seguinte, publica "São Bernardo". Em março de 1936, acusado — sem que a acusação fosse formalizada — de ter conspirado no malsucedido levante comunista de novembro de 1935, é demitido, preso em Maceió e enviado a Recife, onde é embarcado com destino ao Rio de Janeiro no navio "Manaus", com outros 115 presos. Seu livro "Angústia" é lançado no mês de agosto daquele ano. Esse romance é agraciado, nesse mesmo ano, com o prêmio "Lima Barreto", concedido pela "Revista Acadêmica".
Foi libertado e passou a trabalhar em jornais do Rio de Janeiro, em 1937. Em maio, a "Revista Acadêmica" dedica-lhe uma edição especial, de número 27 - ano III, com treze artigos sobre o autor. Recebe o prêmio "Literatura Infantil", do Ministério da Educação com "A terra dos meninos pelados". Em 1938, publica seu famoso romance "Vidas secas". Em 1940, freqüenta assiduamente a sede da revista "Diretrizes", junto de Álvaro Moreira, Joel Silveira, José Lins do Rego e outros "conhecidos comunistas e elementos de esquerda", como consta de sua ficha na polícia política. Publica uma série de crônicas sob o título "Quadros e Costumes do Nordeste" na revista "Política", do Rio de Janeiro.
Em 1942, recebe o prêmio "Felipe de Oliveira" pelo conjunto de sua obra, por ocasião do jantar comemorativo a seus 50 anos. O romance "Brandão entre o mar e o amor", escrito em parceria com Jorge Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz é publicado pela Livraria Martins, S. Paulo. Lança, em 1944, o livro de literatura infantil "Histórias de Alexandre", e tempos depois filia-se ao Partido Comunista, em 1945, ano em que são lançados "Dois dedos" e o livro de memórias "Infância". O escritor Antônio Cândido publica, nessa época, uma série de cinco artigos sobre a obra de Graciliano no jornal "Diário de São Paulo", que o autor responde por carta. Em 1946, publica "Histórias incompletas", que reúne os contos de "Dois dedos", o conto inédito "Luciana", três capítulos de "Vidas secas" e quatro capítulos de "Infância".
Lança também os contos de "Insônia" são publicados em 1947. O livro "Infância" é publicado no Uruguai, em 1948. Traduz, em 1950, o famoso romance "A Peste", de Albert Camus, cujo lançamento se dá nesse mesmo ano pela José Olympio. Em 1951, elege-se presidente da Associação Brasileira de Escritores, tendo sido reeleito em 1962. O livro "Sete histórias verdadeiras", extraídas do livro "Histórias de Alexandre", é publicado.Depois de uma viagem em abril de 1952 com sua esposa à Europa, Graciliano retorna enfermo, e decide ir a Buenos Aires, Argentina, para submeter-se a tratamento de pulmão.
É operado, mas os médicos não lhe dão muito tempo de vida. No janeiro ano seguinte, 1953, é internado na Casa de Saúde e Maternidade S. Vitor, onde vem a falecer, vitimado pelo câncer, no dia 20 de março. É publicado o livro "Memórias do cárcere", que Graciliano não chegou a concluir, tendo ficado sem o capítulo final.Postumamente, são publicados os seguintes livros: "Viagem", 1954, "Linhas tortas", "Viventes das Alagoas" e "Alexandre e outros heróis", em 1962, e "Cartas", 1980, uma reunião de sua correspondência. Seus livros "Vidas secas" e "Memórias do cárcere" são adaptados para o cinema por Nelson Pereira dos Santos, em 1963 e 1983, respectivamente. O filme "Vidas secas" obtem os prêmios "Catholique International du Cinema" e "Ciudad de Valladolid" (Espanha). Leon Hirszman dirige "São Bernardo", em 1980.
Por Maria Cecília Isaurralde
Principais livros publicados pela José Olympio
Uma curiosidade: Apesar de ter em seu acervo grandes nomes nacionais, a primeira publicação da editora José Olympio foi Conhece-te a ti Mesmo pela Psicanálise [How to psychoanalyse yourself], do norte-americano Joseph Ralph, que obtém grande êxito comercial, permanecendo no catálogo por cerca de vinte anos. Não se tratava de uma obra literária, e sim de um estilo de livro, hoje conhecido como auto-ajuda.
A editora estréia no ramo literário com o lançamento de A Ronda dos Séculos, de Gustavo Barroso.
Em 1934 a sede da empresa transferia-se para o Rio de Janeiro, funcionando em vários endereços do centro, até abrigar-se em 1964 no prédio próprio, da Rua Marquês de Olinda, em Botafogo. Simultaneamente, a livraria que mantinha na Rua do Ouvidor, 110 tornou-se um endereço famoso, onde diariamente se reuniam os intelectuais cariocas.
As edições multiplicavam-se – de oito em 1933, passavam a 32 em 1934, 59 em 1935. Em 1936, com 66 títulos, a José Olympio já era a editora mais importante do país. Seu maior projeto foi a Coleção Documentos Brasileiros, criada em maio de 1936 sob a direção de Gilberto Freyre, cujo livro inicial foi Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e que hoje conta com mais de 200 títulos.
Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, aborda aspectos centrais da história da cultura brasileira. O texto consiste de uma macro-interpretação do processo de formação da sociedade brasileira. Destaca, sobretudo, a importância do legado cultural da colonização portuguesa do Brasil, e a dinâmica dos arranjos e adaptações que marcaram as transferências culturais de Portugal para a sua colônia americana. O livro foi escrito na forma de um longo ensaio histórico, tendo sido dividido em sete partes.
O livro foi publicado originalmente pela Editora José Olympio, tendo sido posteriormente objeto de várias reedições ao longo do século XX. É considerado um dos mais importantes clássicos da historiografia e da sociologia brasileiras.
Uma curiosidade: Foi com Raízes do Brasil, a primeira vez que fizeram uma vitrine inteira com diversos exemplares do livro, para sua divulgação na livraria José Olympio.
Ainda nos primeiro anos, José Olympio publica os romances de José Lins do Rego Menino de Engenho e Bangüê, em tiragens ambiciosas para a época, com cinco mil e dez mil exemplares respectivamente.
O Romance "Caminho de Pedras" foi lançado em 1939 pela José Olympio. Assim que ouviu falar do livro, José Olympio viajou até o Ceará com o intuito de buscar Rachel de Queiroz para publicar seu livro do qual ouvira falar. Esta atitude é uma das que explica o relacionamento constante e afetuoso com os autores que editava. Atualizado com tudo o que se passava no país, não deixava escapar oportunidade alguma que lhe permitisse acrescentar autores à sua "família literária".
Rachel de Queiroz também é a autora de O Quinze, seu primeiro e mais popular romance publicado pelo José Olympio. O título se refere a grande seca de 1915, vivida pela escritora em sua infância. O romance se dá em dois planos, um enfocando o vaqueiro Chico Bento e sua família, o outro a relação afetiva de Vicente, rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora.
Jorge Amado também faz parte do grande time de autores publicados pela José Olympio. Seu romance "Mar Morto" publicado em 1936 trata do nascimento, vida e morte do personagem Guma, que o autor descreve como sendo uma história que se conta nos cais baianos, uma lenda, como ele mesmo diz no final do livro: "assim contam os homens do mar".
Em verdade, o livro faz inúmeras referências a outros pescadores célebres, cita exaustivamente santos do candomblé e também descreve com grande detalhe o modo de vida miserável do "povo do mar", a morte sempre latente, náufragos e amores.
Jorge Amado foi o único autor a romper com José Olympio por motivos políticos. Mas a vaidade do escritor talvez tenha pesado tanto quanto a pureza ideológica: Jorge não gostou de ver seu nome publicado abaixo do de Plínio Salgado em um anúncio da editora.
Por Rodrigo Berthone

